Josiane Psicóloga e Psicanalista​​



O Divã

Nos últimos dias algumas pessoas me perguntaram sobre o "uso do divã", e isso me impulsionou a escrever um pouquinho sobre isso. Alguns consultórios de psicologia/psicanálise possuem divã (a pessoa deita e o analista fica em uma poltrona atrás), outros possuem duas poltronas ou até mais, para atendimentos "frente a frente", outros possuem sofá (ou até mesmo um divã) que dê para a pessoa se sentar ou deitar, inclusive deitar de frente para o analista.
O divã faz parte de uma técnica criada por Freud que é a "associação livre de ideias", onde, segundo ele, em sua prática, entendeu que, deitado, a pessoa (cliente/paciente), tem mais condições de "falar tudo o que lhe vem à mente", e desta forma ele ia tendo acesso ao inconsciente dessa pessoa e desvendava seus "enigmas".
Com o passar do tempo, outras técnicas foram desenvolvidas, inclusive surgiram outras abordagens (como por exemplo a abordagem psicanalítica Winnicottiana), não focadas totalmente no inconsciente mas sim, por exemplo, nas questões "relacionais", na vida da pessoa e seus entraves do dia-a-dia. Desta forma, o "setting" psicanalítico não ficou somente no divã, comportou também o "frente a frente".
O atendimento frente a frente é bastante usado, e, dependendo da abordagem do analista, o que mais importa é a pessoa se sentir bem e confortável para falar sobre si, pode ser no sofá, no chão, no tapete da sala, de costas, no divã, enfim....a forma que a pessoa se sentir melhor, não determinando-se o uso exclusivo do divã.
É comum, enquanto analistas, ouvirmos pessoas dizerem que não ficam seguras com o analista atrás do divã, outras no entanto, não se importam e outras até se sentem confortáveis. Há também pessoas que precisam ver o analista, e outras que em algum momento, necessitam segurar na mão do analista e sentirem que não estão sozinhas naquele momento. 
Há analistas que preferem sentar atrás do divã, já outros na frente da pessoa e estar disponível para o "olhar nos olhos".
Enfim, eu acredito que o analista precisa encontrar, junto com seu paciente, o "melhor jeito" de se "estar na sala", e estar coerente com sua técnica e abordagem de trabalho e só para finalizar, penso eu, que nós, enquanto analistas, temos que constantemente nos atentar, se a pessoa que nos procurou está fazendo seu caminho de melhora, de evolução e de "amadurecimento" pessoal, fruto da dupla paciente/analista, que inclui o setting "com ou sem o divã".